Neurociências

Neurociências

terça-feira, 15 de julho de 2014

Objetos de aprendizagem

1- Conteúdo: Memórias

2- Objetos de aprendizagem: Texto, vídeos.

3- Competências:
- Usar adequadamente a informação armazenada, fazendo evocações de maneira satisfatória;
- Resolver problemas de forma viável e eficaz, utilizando estratégias de memória.

4- Atitudes:
- Desenvolvimento de ações pró-ativas de valorização de estudos e abordagens metacognitivas.
       -Postura favorável à aprendizagem.
         -Estímulo à participação dos pares nas atividades propostas, priorizando a inclusão. 

5- Valores:
- Autonomia;
-Cidadania;
- Cooperação;
- Ética;
- Persistência;
- Respeito;
- Responsabilidade.

6- Habilidades:
- Identificar mecanismos e estratégias de memória;
- Identificar os tipos de memória;
- Compreender as etapas de formação e evocação da memória;
- Compreender os mecanismos neurais  em relação à memória e à aprendizagem.

Objetos de Aprendizagem - Cérebro e seu funcionamento

1- Conteúdo: Cérebro e seu funcionamento

2- Objetos de aprendizagem: Vídeos e jogo
Como funciona o cérebro
Viagem ao fundo do cérebro
Passatempo - complete os nomes

3- Competências:
- Utilizar adequadamente os conhecimentos prévios sobre o assunto;
- Compreender as diversas funções do nosso cérebro.

4- Atitudes:
- Compreender a importância da utilização de diferentes recursos para promoção da aprendizagem.

5- Valores:
- Autonomia;
- Cooperação;
- Ética;
- Harmonia;
- Respeito;
- Responsabilidade.

6- Habilidades:
- Identificar a importância do cérebro nas mais diversas situações;
- Indicar algumas das diferentes estruturas cerebrais;
- Reconhecer as funções do cérebro.

Projeto de Aprendizagem - Nati Schuler


Projeto de Aprendizagem


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Projeto de Aprendizagem

Projeto de Aprendizagem Área do Conhecimento, Competências, Valores e Habilidades desenvolvidas durante este projeto de aprendizagem: A ideia do assunto (projeto) surgiu devido à curiosidade e interesse sobre a neurociência e suas capacidades e influencias, passando a serem muito relevantes as descobertas que viram a surgir. Cada item pesquisado e anexado ao blog se fez peça fundamental na busca de mais aprendizado. Com tais informações, percebemos a importância de acrescentarmos conhecimento a nosso grupo docente e discente sobre o tema cérebro e suas funções, elas, sendo desmembradas nas áreas do conhecimento específicas para cada fim. Como por exemplo/ Área do Conhecimento: ciências. /Competências: Avaliar criticamente dados, situações e fenômenos; Usar adequadamente a informação acumulada; Atuar em grupo./ Atitudes: Cooperação com o grupo nas diferentes atividades propostas; Valorização do uso de recursos tecnológicos como instrumento de aprendizagem; Valorização das relações interpessoais no contexto escolar / Desenvolvendo valores: Cooperação, Ética, Harmonia, Liderança, Persistência, Respeito, Autonomia / Habilidades: Compreender o papel das tecnologias de informação e comunicação para o avanço da Ciência; Compreender o corpo humano como um sistema integrado de/por outros sistemas; Identificar os sistemas nervoso e hormonal como responsáveis pelo controle do corpo e pela reação aos estímulos ambientais; Reconhecer as diferentes estruturas constituintes de um sistema e suas funções específicas; Compreender a organização do sistema nervoso e reconhecer seu papel na coordenação das funções e ações do corpo. Com isso, o assunto é abordado em vários âmbitos de aprendizagem, assim como sua exploração faz parte do contexto de várias disciplinas. Assim, Contemplado nos Referenciais da Educação, valorizando o uso de recursos tecnológicos como instrumento de aprendizagem, pois este foi o meio utilizado para tais pesquisas.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Objeto de Aprendizagem

1)Conteúdo / Conceito : Ciência e Tecnologia - Os segredos do cérebro humano 

2)Objeto de Aprendizagem : Vídeo 

Ciência & Tecnologia - Os Segredos Do Cérebro Humano

3)Competências : 
- Explorar diferentes capacidades e estímulos cerebrais. 
- Aplicar adequadamente informações úteis para aprendizagem. 
- Adequar teoria e prática. 

4) Atitudes:
- Utilização da tecnologia como instrumento de aprendizagem. 
- Valorização dos recursos tecnológicos. 
- Exploração dos conhecimentos pré-adquiridos. 

5) Valores: 
- Respeito 
- Autonomia 
- Ética 
- Responsabilidade 
- Cooperação 

6) Habilidades: 
- Reconhecer a importância da neurociência na aprendizagem. 
- Relacionar estímulos e práticas pedagógicas. 
- Conhecer as diferentes funções do cérebro.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Objeto de Aprendizagem - Um Recurso Digital

1) Conteúdo/Conceito: Cérebro - Uma Maquina Genial

2) Objeto de Aprendizagem:  vídeos

O Cérebro Parte 1

O Cérebro Parte 2



Aprender a aprender

O Cerebro, Tecnologia e a Neurociência


3) Competências:
  • Utilizar adequadamente diversas linguagens humanas, sejam verbais (oral e/ou escrita), sejam não verbais.
  • Avaliar criticamente dados, situações e fenômenos.
  • Usar adequadamente a informação acumulada.


4) Atitudes:

  • Valorização do uso de recursos tecnológicos como instrumento de aprendizagem.
  • Postura favorável à aprendizagem, incluindo atenção, concentração, dedicação.
  • Disposição em ouvir as ideias do grupo e expressar as suas.

5) Valores:

  • Autonomia 
  • Cooperação 
  • Ética 
  • Harmonia
  • Liderança
  • Respeito
  • Responsabilidade

6) Habilidades:
  • Conhecer as funções do cérebro.
  • Reconhecer a importância do cérebro para a saúde humana.
  • Relacionar as doenças que acometem o cérebro.
  • Delinear a importância da redação no processo de aprendizagem.
  • Reconhecer os avanços tecnológicos como essenciais para entender o funcionamento do cérebro.
  • Entender como o cérebro responde a aprendizagem.

Disponível no repositório: 
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?pagina=espaco%2Fvisualizar_aula&aula=52184&secao=espaco&request_locale=es

Projeto de Aprendizagem por Letícia Azevedo

Area do Conhecimento, Competências, Valores e Habilidades desenvolvidas durante este projeto de aprendizagem:

1) Área do Conhecimento: Ciências(Biologia)
2) Competências:
  • Resolver problemas de forma viável e eficaz.
  • Utilizar adequadamente diversas linguagens humanas, sejam verbais (oral e/ou escrita), sejam não verbais.
  • Avaliar criticamente dados, situações e fenômenos.
  • Usar adequadamente a informação acumulada.
  • Atuar em grupo.

3) Atitudes:
  • Busca de soluções frente a situações que se configurem problema para si, para o grupo e/ou para o ambiente.
  • Cooperação com o grupo nas diferentes atividades propostas.
  • Valorização do uso de recursos tecnológicos como instrumento de aprendizagem.
  • Valorização das relações interpessoais no contexto escolar.
  • Postura favorável à aprendizagem, incluindo atenção, concentração, dedicação.
  • Disposição em ouvir as ideias do grupo e expressar as suas.
4) Valores:
  • Autonomia
  • Cidadania
  • Cooperação
  • Ética
  • Harmonia
  • Liderança
  • Persistência
  • Respeito
  • Responsabilidade
  • Solidariedade
  • Tolerância
5) Habilidades:
  • Compreender o papel das tecnologias de informação e comunicação para o avanço da Ciência.
  • Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações e elaborar diferentes registros.
  • Reconhecer formas de recepção e reação do organismo aos estímulos do ambiente.
  • Compreender o corpo humano como um sistema integrado de/por outros sistemas
  • Identificar os sistemas nervoso e hormonal como responsáveis pelo controle do corpo e pela reação aos estímulos ambientais.
  • Reconhecer as diferentes estruturas constituintes de um sistema e suas funções específicas.
  • Compreender a organização do sistema nervoso e reconhecer seu papel na coordenação das funções e ações do corpo.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Apresentação do Prezi

Olá, fizemos nossa apresentação colaborativa. Cada uma, adicionou e modificou nosso trabalho, contribuindo assim para o resultado final.

Quem quiser conferir nossa apresentação no Prezi, sobre o tema do nosso blog, basta clicar no link abaixo:

Neurociências

Até mais!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Li uma citação que em meu ver, tem total relação com os assuntos abordados em nosso blog. " Os alunos aprendem melhor quando sentem que seus professores se preocupam com eles, quando sentem-se acolhidos, amados." ( Paulo Freire ). Onde o meio faz a diferença no processo, a neurociência aborda essa importância do meio como aspecto fundamental nessa conquista do conhecimento. Também após leitura sobre o tema, percebe-se o quanto é importante conhecer os processos de assimilação e perpetuação do conhecimento, tanto pelo professor quanto pelo aluno. Seus estímulos na aprendizagem, a relevância que tem o interesse do assunto e principalmente o estímulo por parte do professor e o quanto é fundamental essas práticas palpáveis para a assimilação e principalmente a retenção da informação.
A neurociência como aliada para obtenção de interesse e inovação para a educação e aprendizagem!

domingo, 8 de junho de 2014


Depois de ler algumas matérias sobre a Neurociências, percebeu-se que o desenvolvimento do cérebro decorre da integração entre o corpo e o meio social. E que o professor deve potencializar essa interação por parte das crianças.

O professor, ao observar as emoções dos alunos, pode ter pistas de como o meio escolar os afeta: se está instigando emocionalmente ou causando apatia por ser desestimulante. Dessa forma, consegue reverter um quadro negativo, que não favorece a aprendizagem. Quanto mais emoção contenha determinado evento, mais ele será gravado no cérebro.

A atenção é fundamental para a percepção e para a aprendizagem. A falta de atenção não é sinônimo de indisciplina ou de desinteresse por parte das crianças. Ela pode ser decorrente de um meio desestimulante ou de situações inadequadas à aprendizagem. Tarefas muito difíceis desmotivam e deixam o cérebro frustrado, sem obter prazer do sistema de recompensa. Por isso são abandonadas, o que também ocorre com as fáceis. Para evitar isso, o professor precisa propor atividades que os alunos tenham condições de realizar e que despertem a curiosidade deles e os faça avançar. É necessário levá-los a enfrentar desafios, a fazer perguntas e procurar respostas. O professor deve focar a interação entre o meio, o saber e o aluno, refletindo sobre as atividades propostas e modificando-as se necessário.

O sistema nervoso central só processa aquilo a que está atento. Se o desvio de atenção é significativo, a aquisição de habilidade e a memorização sofrem prejuízo. O aluno pode simplesmente decorar uma nova informação, mas o registro se tornará mais forte se criar ativamente vínculos e relações daquele conteúdo com o que já está armazenado em seu arquivo de conhecimento. Aprendemos com base no que já sabemos. Aprender não é só memorizar informações. É preciso saber relacioná-las, ressignificá-las e refletir sobre elas.

Quando o sujeito é afetado positivamente por algo, a região responsável pelos centros de prazer é ativada e gera bem-estar, o que mobiliza a atenção da pessoa e reforça o comportamento dela em relação ao objeto que a afetou. As informações e acontecimentos que nos afetam e fazem sentido para nós ficam retidos na memória com mais facilidade. Como a construção de sentido passa pela afetividade, é difícil reter algo novo quando ele não nos afeta. Somos seres integrados: afetividade, cognição e movimento.

O cérebro se modifica em contato com o meio durante toda a vida. A interferência do ambiente no sistema nervoso causa mudanças anatômicas e funcionais no cérebro. A cognição se constitui pelas experiências sociais, e é fundamental a importância do ambiente nesse enfoque.

Então, a escola deve ser um espaço que motive e não somente que se ocupe em transmitir conteúdo. É tarefa do professor, apresentar bons pontos de ancoragem, para que os conteúdos sejam aprendidos e fiquem na memória, e também dar condições para que o aluno seja ativo em suas aprendizagens e construa sentido sobre o que está vendo em sala. Cabe ao professor propor, orientar e oferecer condições para que o aluno exerça suas potencialidades. Para isso, deve conhecê-lo bem, assim como o contexto em que vive e a relação dele com a natureza do tema a ser aprendido.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Neurociências e aprendizagem: memória



Lembre-se: sem memória não há aprendizagem



Conhecendo como o cérebro guarda informações você vai ajudar os alunos a fixar os conteúdos estudados em classe


Foto: SXC


A memorização envolve complexos processos no sistema nervoso

Durante séculos, na escola, memorizar foi sinônimo de decorar nomes, datas e fórmulas que seriam exigidos nas provas, nas chamadas e nos testes. Com base nos estudos sobre o processo de aprendizagem da criança, porém, concluiu-se que a decoreba era inimiga da educação. E a memória - confundida com repetição - foi posta de castigo.

Um grande erro. A memória é a base de todo o saber - e, por que não dizer, de toda a existência humana, desde o nascimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. "É ela que dá significado ao cotidiano e nos permite acumular experiências para utilizar durante toda a vida", afirma a psicóloga e antropóloga Elvira Souza Lima, especialista em desenvolvimento humano.

Nos últimos 20 anos, a neurociência avançou muito nas descobertas sobre o funcionamento do cérebro. Hoje se sabe o que acontece quando ele está captando, analisando e transformando estímulos em conhecimento e o que ocorre nas células nervosas quando elas são requisitadas a se lembrar do que já foi aprendido. "Com isso o professor pode aprimorar suas estratégias de ensino", diz o neuropsiquiatra Everton Sougey, coordenador do curso de pós-graduação em Neuropsicologia da Universidade Federal de Pernambuco. Estão provadas, por exemplo, as vantagens de estabelecer ligações com o conhecimento prévio do aluno ao introduzir um novo assunto e de trabalhar também a emoção em sala de aula. O cérebro responde positivamente a essas situações, ajudando a fixar não somente fatos, mas também conceitos e procedimentos.

Quando assiste a uma aula, o estudante recebe informações de todo tipo, tanto visuais como auditivas. Elas se transformam em estímulos para o cérebro e circulam pelo córtex cerebral antes de serem arquivadas ou descartadas. Sempre que encontram um arquivo já formado (o tal conhecimento prévio), arrumam um "gancho" para o seu armazenamento, fazendo com que, no futuro, ela seja resgatada mais facilmente. "É como se o recém-chegado fosse morar em uma nova casa, mas em rua conhecida", ilustra Elvira Lima. Quando essa informação é resgatada da memória, trilha os mais variados caminhos. Se eles já tiverem sido percorridos anteriormente, a recuperação de conhecimentos será simples e rápida. O que não tem nada a ver com decoreba.

"Se o estudante não aprende um conteúdo é porque não encontrou nenhuma referência nos arquivos já formados para abrigar a nova informação e, com isso, a aprendizagem não ocorreu. Não adianta insistir no mesmo tipo de explicação", ressalta a neuropsicóloga Leila Vasconcelos, da Universidade Federal de Pernambuco. Cabe ao professor oferecer outras conexões. Como? Usando abordagens diferentes e estimulando outros sentidos. Daí a importância de investigar os conhecimentos prévios da turma e recordar conteúdos de aulas anteriores, para formar os "ganchos" e dispor de diferentes estratégias de ensino.




Texto: Paola Gentile

Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/memoria-aprendizagem-406599.shtml

Neurociências e aprendizagem




Certezas Provisórias:

* A aprendizagem provoca mudança na forma das sinapses, aumentos da quantidade de neurotransmissor e aumento na quantidade de receptores

* A memória está diretamente ligada à aprendizagem.

* A aquisição da memória depende da atenção.

* A memória de curto prazo é a mais "utilizada" na escola.

* Não se pode motivar alguém, pois a motivação, tanto intrínseca como extrínseca, está no indivíduo.

* Estudos e teorias da neurociências são ignorados pelos parâmetros nacionais de ensino, como exemplos, cito a Teoria Neural da Linguagem e os OITO sentidos.

* Mecanismos de reconsolidação e extinção como formas de aprendizagem e agregação desta.


Dúvidas Temporárias:


Que método leva a uma aprendizagem mais significante?

Como identificar de forma eficiente os problemas de memória e de aprendizagem de nossos alunos? Será problema de formação da memória ou evocação da memória?

Como contribuir para a formação de memórias de longa duração na escola?

Que dicas contextuais o professor pode proporcionar para facilitar a evocação de memória de seus alunos?

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Mapa Conceitual

Certezas provisórias

 • Experiências significativas processam o conhecimento com mais intensidade e possibilitam sua retenção; 
 • Estratégias de estimulo adequadas e dinâmicas são importantes para que o cérebro tenha conecções sinápticas adequadas tanto quantitativamente quanto qualitativamente; • Mais de um estímulo sendo usado na prática pedagógica, auxilia e muito a aprendizagem, como o auditivo e visual, com música e ritmo por exemplo.
 • Os games, quando orientados e usados de forma adequada, estimulam e muito o processo de aprendizagem. 

Dúvidas temporárias

 • Como o professor pode ajudar nesse "fortalecimento neural"? 
 • Até que ponto a neurociencia pode nos auxiliar em nossas práticas?
 • Com tantas informações, não estamos esquecendo do simples processo de contato fácil e direto com o aluno?

A Importância da Neurociência na Educação

Autor: Vera Lucia Mietto Data: 31/12/2009 

Os avanços e descobertas na área das neurociências ligada ao processo de aprendizagem é sem duvida, uma revolução para o meio educacional. As Neurociências da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o cérebro aprende. É o entendimento de como as redes neurais são estabelecidas no momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao cérebro, da forma como as memórias se consolidam, e de como temos acesso a essas informações armazenadas. 

Quando falamos em educação e aprendizagem, estamos falando em processos neurais, redes que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem novas sinapses. E o que entendemos por aprendizagem? Aprendizagem, nada mais é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde passam os estímulos), tornado-as mais "intensas". A cada estímulo novo, a cada repetição de um comportamento que queremos que seja consolidado, temos circuitos que processam as informações, que deverão ser então consolidadas. A neurociências vem nos desvendar o que antes desconhecíamos sobre o momento da aprendizagem. 

O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é matricial nesse processo do aprender. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem sua função e real importância num trabalho em conjunto, onde cada um precisa e interage com o outro. Mais qual o papel e função de cada região cerebral? Aonde o aprender tem realmente a sua sede e necessita ser estimulada adequadamente? 
Conhecer o papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a importância do sistema límbico, responsável pelas nossas emoções, desvendar os mistérios que envolvem a região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita, poder entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças com TDAH, as funções executivas e o sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal é hoje fundamental na educação assim como compreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais especifica (parietal), que reconhece as formas visuais das letras e depois acessando outras áreas para que a codificação e decodificação dos sons sejam efetivas. 

Como não penetrar nos mistérios da região temporal relacionado a percepção e identificações dos sons onde os reconhece por completo? (área temporal verbal que produz os sons para que possamos fonar as letras). Não esquecendo a região occipital que tem como uma de suas funções coordenar e reconhecer os objetos assim como o reconhecimento da palavra escrita. Assim, cada órgão se conecta e se interliga nesse trabalho onde cada estrutura com seus neurônios específicos e especializados desempenham um papel importantíssimo nesse aprender. 

Podemos compreender, desta forma que o uso de estratégias adequadas em um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará consequentemente, alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas, afetando assim o funcionamento cerebral, de forma positiva e permanente, com resultados extremamente satisfatórios. 

Estudos na área neurocientífica, centrados no manejo do aluno em sala de aula vem nos esclarecer que a aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas funcionam de forma inter relacionada. Assim, podemos entender, por exemplo, como é valioso aliar a música e os jogos em atividades escolares, pois há a possibilidade de se trabalhar simultaneamente mais de um sistema: o auditivo, o visual e até mesmo o sistema tátil (a música possibilitando dramatizações). Os games (adorados pelas crianças e adolescentes) ainda em discussão no âmbito acadêmico são fantásticos na sua forma de manter nossos alunos plugados e podem ser mais uma ferramenta facilitadora, pois possibilita estimular o raciocínio lógico, a atenção, a concentração, os conceitos matemáticos e através de cruzadinhas e caça-palavras interativos, desenvolver a ortografia de forma desafiadora e prazerosa para os alunos. Vários sites na internet nos disponibilizam esses jogos. Desta forma, o grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que "facilite" esse disparo neural, as sinapses e o funcionamento desses sistemas, sem que necessariamente o professor tenha que saber se a melhor forma de seu aluno lidar com os objetos externos é: auditiva, visual ou tátil. 

Quando ciente da modalidade de aprendizagem do seu aluno, (e isso não está longe de termos na formação de nossos educadores) o professor saberá quais estratégias mais adequadas utilizar e certamente fará uso desse grande e inigualável meio facilitador no processo ensino ? aprendizagem. 

Outra grande descoberta das neurociências é que através de atividades prazerosas e desafiadoras o "disparo" entre as células neurais acontece mais facilmente: as sinapses se fortalecem e redes neurais se estabelecem com mais facilidade. Mas como desencadear isso em sala de aula? 
Como o professor pode ajudar nesse "fortalecimento neural"?

Todo ensino desafiador ministrado de forma lúdica tem esse efeito: aulas dinâmicas, divertidas, ricas em conteúdo visual e concreto, onde o aluno não é um mero observador, passivo e distante, mas sim, participante, questionador e ativo nessa construção do seu próprio saber, o deixam "literalmente ligado", plugado, antenado. O conteúdo antes desestimulante e repetitivo para o aluno e professor ganha uma nova roupagem: agora propicia novas descobertas, novos saberes, é dinâmico e flexível, plugado em uma era informatizada aonde a cada momento novas informações chegam ao mundo desse aluno. Professor e aluno interagem ativamente, criam, viabilizam possibilidades e meios de fazer esse saber, construindo juntos a aprendizagem. Uma aula enriquecida com esses pré- requisitos é mágica, envolvente e dinâmica. É saber fazer uso de uma estratégia assertiva onde conhecimentos neurocientíficos e educação caminham lado a lado. Mas como isso é possível? O que fazer em sala de aula? 
A seguir veremos algumas sugestões que podem ser adotadas: 
1- Estabeleça regras para que haja um convívio harmonioso de todos em sala de aula, fazendo com que os alunos sejam responsáveis pela organização, limpeza e utilização dos materiais. Opinando e criando as regras e normas adotadas, eles se sentirão responsáveis pela sala de aula 

2- Faça uso de materiais diversificados que explorem todos os sentidos. Visual: mural, cartazes coloridos, filmes, livros, filmes educativos; Tátil: material concreto e objetos de sucata planejados. Há uma riqueza de sites na internet que nos disponibilizam atividades muito ricas e prazerosas. A criatividade aflora e a aula se torna muito divertida; Auditivo: música e bandinhas feitas com material de sucata, sempre com o conteúdo inserido nelas. A criação de músicas sobre conteúdos é uma forma divertida de aprender. Talentos apareceram em sala de aula. E quem não gosta de cantar? A aula fica muito rica e prazerosa! 

3- Reserve um lugar com almofadas e tapete, para momentos de descanso e reflexão. O "cantinho da leitura" é fundamental na sala de aula na ausência de uma biblioteca. Relaxar após o trabalho prazeroso significa dar tempo para o cérebro escanear todo o conteúdo que vai ser assimilado, ativar o hipocampo (região responsável pelas memórias) e consolidar o que se aprendeu. 

4- Estabeleça rotinas onde possam realizar trabalhos individuais, em dupla e em grupo. (rotinas estabelecidas reforçam comportamentos assertivos e organização. Crianças com TDAH, que apresentam mal funcionamento das funções executivas se beneficiam com rotinas e regras pré estabelecidas.) O trabalho em equipe é extremamente prazeroso, ativa as regiões límbicas (responsáveis pelas emoções) e como sabemos que o aprender está ligado à emoção, a consolidação do conteúdo se faz de maneira mais efetiva. (hipocampo) 

5- Trabalhar o mesmo conteúdo de varias formas possibilita aos alunos "mais lentos" oportunidades de vivenciarem a aprendizagem de acordo com suas possibilidades neurais. Dê aos mais rápidos, atividades que reforcem ainda mais esse conteúdo, que os mantenham atentos e concentrados, para que os mais lentos não sejam prejudicados com conversas e agitação dos mais rápidos. 

6- A flexibilidade em sala de aula permite uma aprendizagem mais dinâmica e melhor, percebida por todos os alunos. O professor que ministra bem os conflitos em ala de aula, que tem "jogo de cintura" e apresenta o conteúdo com prazer mantém seus alunos "plugados" na sala de aula. Desta forma, sabedores deste mecanismo neural que impulsiona a aprendizagem, das estratégias facilitadoras que estimulam as sinapses e consolidam o conhecimento, dessa magia onde cada estrutura cerebral se interliga para que todos os canais sejam ativados. Assim ,como numa orquestra afinadíssima, onde a melodia sai perfeita, estar de posse desses importantes conhecimentos e descobertas será como reger uma orquestra onde o maestro saberá o quão precisamente estão afinados seus instrumentos e como poderá tirar deles melodias harmoniosas e suaves. 

A neurociência se constitui assim em atual e uma grande aliada do professor para poder identificar o individuo como ser único, pensante, atuante, que aprende de uma maneira toda sua, única e especial. Desvendando os mistérios que envolvem o cérebro na hora da aprendizagem, a neurociência disponibiliza, ao moderno professor (neuroeducador), impressionantes e sólidos conhecimentos sobre como se processam a linguagem, a memória, o esquecimento, o humor, o sono, a atenção, o medo, como incorporamos o conhecimento, o desenvolvimento infantil, as nuances do desenvolvimento cerebral desta infância e os processos que estão envolvidos na aprendizagem acadêmica. Logo, um vasto campo de preciosas informações relacionadas ao aluno e ao processo de absorção da aprendizagem a ele proporcionada. Tomarmos posse desses novos e fascinantes conhecimentos é imprescindível e de fundamental importância para uma pedagogia moderna, ativa, contemporânea, que se mostre atuante e voltada às exigências do aprendizado em nosso mundo globalizado, veloz, complexo e cada vez mais exigente. Conceitos como neurônios, sinapses, sistemas atencionais, (que viabilizam o gerenciamento da aprendizagem), mecanismos mnemônicos (fundamentais para o entendimento da consolidação das memórias), neurônios espelho, que possibilitam a espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado e plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a desenvolver-se, a aprender e a mudar não mais estarão sendo discutidos apenas por neurocientistas, como até então imaginávamos. Estarão agora, na verdade, em sala de aula, no dia a dia do educador, pois uma nova visão de aprendizagem está a se delinear. O fracasso e insucesso escolar têm hoje um novo olhar, já que uma nova e fascinante gama de informações e conhecimentos está á disposição do educador moderno. 

Graças à neurociência da aprendizagem, os transtornos comportamentais e da aprendizagem passaram a ser mais facilmente compreendidos pelos educadores, que aliados a neurociência tem subsídios para a elaboração de estratégias mais adequadas a cada caso. Um professor qualificado e capacitado, um método de ensino adequado e uma família facilitadora dessa aprendizagem são fatores fundamentais para que todo esse conhecimento que a neurociências nos viabiliza seja efetivo, interagindo com as características do cérebro de nosso aluno. Esta nova base de conhecimentos habilita o educador a ampliar ainda mais as suas atividades educacionais, abrindo uma nova estrada no campo do aprendizado e da transmissão do saber. 

http://www.pedagogia.com.br/artigos/neurocienciaaeducacao/

domingo, 1 de junho de 2014

Neurociência, Formação de Professores e Práticas Pedagógicas

RESUMO:

A formação de professores tem se mantido como tema de estudo e de reflexão, isto demonstra que se trata de uma permanente inquietação de diferentes segmentos: gestores, formadores, estudantes, dentre outros. Por que preocupar-se com a formação do professor? O professor formado adequadamente desenvolve a docência de maneira diferenciada, com qualidade e voltada para o estudante. O objetivo deste texto é demonstrar como a neurociência contribui para o bom desempenho do trabalho do professor e como pode ser uma importante aliada para melhorar processos de ensino e aprendizagem. Trata-se de uma abordagem teórica com base em autores contemporâneos que pesquisam o assunto. Ao longo do corpo do texto procura-se explicitar elementos que deem visibilidade às descobertas científicas da neurociência e como a interface com a área da educação pode auxiliar na prática pedagógica.


Palavras-chave: Aprendizagem. Neurociência. Formação de professores.

Sobre a problemática do texto


A pergunta “como funciona o cérebro?”, que há muitos anos o homem vem se fazendo começa a ser respondida com o auxílio de novos equipamentos científicos e da revolução biológica e hoje agrega conhecimentos que já se constituem em suportes importantes para o desenvolvimento do trabalho do professor[2]. Sabemos que tudo isso é bastante recente e novo, gerando insegurança e relativa ausência de confiança na área, porém não se pode ignorar estes progressos e agir de maneira indiferente ao que está acontecendo no cenário contemporâneo.

A neurociência cognitiva tem uma história recente, datando dos primeiros anos da década de setenta do século passado o aparecimento do termo “neurociência cognitiva”. Como se trata de uma área bastante nova, circula muitas informações sobre ela. Como algumas são de pouca cientificidade provocam desconfiança, por não possuírem fundamento verdadeiro acabam por se constituir em mitos (neuromitos) e distorcer seu real entendimento e contribuição.

Nosso objetivo não é fazer uma dissecação de conceitos[3] da biologia, neurologia, neurociência, etc., mas argumentar para mostrar que o seu conhecimento, por parte dos educadores, pode auxiliar na interação com os estudantes e no processo de ensino e aprendizagem. Alguns conceitos abordados no texto, talvez, muitos educadores, pouco se perguntaram sobre eles, especialmente sobre sua relação com o que fazem diariamente com seus alunos nas salas de aula, o que não nos autoriza a responsabilizá-los pela pouca importância dada a estes conhecimentos. O fato concreto é que os cursos de formação de professores, em sua grande maioria, passa à margem desta questão. Apesar disso pensamos que seja importante desenvolvermos esta reflexão em torno deles para que os tragamos ao debate e assim oportunizaremos, quem sabe, para muitos educadores, uma primeira conversa sobre o assunto.

Algumas Provocações

Algumas provocações iniciais dão a dimensão do desafio que o professor tem para manter-se em sintonia com seu tempo: a inteligência é hereditária? Qual o papel da memória na aprendizagem? Por que lembramos de algumas coisas e esquecemos de outras? Qual dos sentidos interfere mais no aprendizado? Podemos aprender muitas coisas ao mesmo tempo? Aprendemos todos do mesmo jeito ou de jeitos diferentes? Por que alguns aprendem com facilidade o que outros, mesmo com muito esforço, não conseguirão? Qual o preparo (formação) do professor para responder, com segurança, a estes questionamentos? Poderíamos nos estender e construir um texto somente de perguntas, mas lançamos mão de algumas para contextualizar o que vamos dizer a respeito do conhecimento da neurociência e sua implicação no trabalho do professor, na prática pedagógica.
Cotidianamente na sala de aula nos deparamos com situações de falta de atenção, pouca assimilação, ausência de compreensão, dificuldades de aprendizagem e nos angustiamos porque não sabemos como encontrar alternativas para tais problemas. Acabamos por dividir nossa angústia no diálogo com colegas de profissão ou lamentando e responsabilizando a criança e o adolescente por ter “pouca vontade”, “não esforçar-se o suficiente”, “ser desinteressado”, etc. Somos desconhecedores de qual solução apontar, pois, nosso processo de formação não contemplou saberes maiores a este respeito. Acabamos por nos conformar diante da barreira encontrada ou buscar alguma “metodologia”, que, quem sabe, vá poder suprir esta lacuna. Mas o que podemos perceber é que estas atitudes acabam contribuindo muito pouco. Como resolver de maneira contundente tal dilema?

Recorrendo às Ciências Cognitivas, à Neurociência, pois elas serão a solução definitiva? Em parte isto é verdadeiro. Elas podem contribuir ao nos estender conhecimentos que permitem uma visão maior e mais profunda sobre a mente humana, mas a transposição desses saberes para a prática pedagógica é de nossa responsabilidade como educadores. De que maneira? Instrumentalizando-nos dos conhecimentos que estas ciências (mais especificamente a Neurociência) nos alcançam e associando-os a nossos saberes pedagógicos para entender melhor como a cabeça “funciona”, como o cérebro aprende.

Para Metring (2011, p. 13) os neurocientistas 
[...] não estão preocupados em formular receitas, seja para a área educacional, organizacional, médica ou qualquer outra. Estão sim preocupados em descobrir, dia após dia, coisas maravilhosas sobre a organização neuronal do ser humano e as disponibilizar para quem queira utilizar seus achados, mas o trabalho de articulação (no nosso caso, os processos de ensino e aprendizagem) precisam ocorrer a partir das necessidades dessas áreas e por profissionais dessas áreas.


Cosenza (2011, p. 142) alerta a respeito do uso destes conhecimentos para que não caiamos em soluções simplistas. “Embora muitas vezes se observe certa euforia em relação às contribuições das neurociências para a educação, é importante esclarecer que elas não propõem uma nova pedagogia nem prometem soluções definitivas para as dificuldades da aprendizagem.” Representam uma reorientação de direção e um acréscimo para romper com os conceitos conservadores historicamente cultivados sobre o aprender e ensinar. Significará uma aproximação maior do educador com os estudantes, inclusive maior sintonia entre gerações[4] que experimentaram e experimentam o mundo de maneiras diferentes em contextos diferentes, com implicações de organização mental específica em cada circunstância vivida por cada um.

Os Conhecimentos da Neurociência

Não temos a pretensão e nem somos ingênuos para acreditar em soluções mágicas e definitivas, no entanto os conhecimentos advindos na neurociência cognitiva auxiliam na construção e na definição de propostas de intervenção pedagógica mais eficazes, especialmente para pessoas que possuem doenças no cérebro ou distúrbios de comportamento e aprendizagem. É um passo gigantesco na direção da inclusão, não só por possibilitar atendimento específico e especializado, como também melhorara qualidade de vida das pessoas. Não somente quem apresenta alguma doença ou distúrbio pode se beneficiar ao ser auxiliado por um professor que detenha tais conhecimentos, os estudantes considerados “normais” também serão beneficiados pelas estratégias didáticas, formas diferenciadas de abordar o conhecimento e visão de singularidade de um mestre conhecedor do assunto. Com um maior conhecimento sobre como o cérebro funciona e como as pessoas aprendem o professor vai ter mais clareza e lucidez sobre a forma mais adequada para auxiliar os estudantes. Isto permite a ele desenvolver um [...] ensino bem sucedido provocando alteração na taxa de conexão sináptica que afeta a função cerebral. Por certo, isto também depende da natureza do currículo, da capacidade do professor, do método de ensino, do contexto da sala de aula e da família e comunidade.”(BARTOSZECK, 2011, p. 3). Cosenza (2011) corrobora com o autor citado ao afirmar que o saber como o cérebro aprende não é suficiente para a realização da mágica do ensinar e do aprender”, assim como os conhecimentos dos princípios biológicos básicos não é suficiente para que o médico exerça uma boa medicina. Quando tratamos da aprendizagem existem alguns princípios e padrões comuns que podem ser adequados para todos (universais), mas existem também situações que são específicas (individuais, resultantes da experiência vivida por cada um) e que, portanto, o professor precisa conhecer para poder relativizar ou tratar de maneira diferenciada.

A possibilidade que o cérebro humano tem de se recompor e revitalizar (neuroplasticidade) abre outras oportunidades na educação: a criança e o adolescente ainda não aprenderam, mas poderão aprender. Há sempre novas portas e possibilidades se abrindo. Esta concepção dinâmica do cérebro reposiciona a postura e o trabalho do professor porque nada é definitivo, podendo-se chegar a resultados cada vez melhores a partir de ambientes, “metodologias” e “didáticas” diferentes.
Para os profissionais do ensino, isso é de fundamental importância, pois a existência do cérebro é um acontecimento maravilhoso, que tem por função aprender a mudar o meio ou adaptar-se a ele em tempo curto, e, para tanto, só é preciso que ocorra alguma aprendizagem. Não é fantástico? O aprendizado é uma arma poderosa na luta pela sobrevivência e é uma característica inata do cérebro. Então, porque algumas crianças não aprendem, se é uma característica inata do cérebro aprender? Pensemos nisso (METRING, 2011, p. 56).
Assim como a natureza foi dotando o cérebro de maior tamanho e potencialidades, conforme os ambientes humanos e sociais foram se complexificando provocaram a expansão da rede neural (novas conexões) que gerou novas aprendizagens, novos entendimentos numa cadeia em espiral irreversível. É assim que a mente humana foi se constituindo e não há como entender como ela se organiza com uma visão tradicional de inteligência. O educador precisa conhecer e reposicionar-se frente aos novos estudos e descobertas a respeito da mente e da inteligência humana. Só assim ele vai conseguir desenvolver seu trabalho na perspectiva de atender às individualidades e atingir o maior número possível de educandos.

O Professor e a Prática Pedagógica

Para entender o quanto é importante reorientarmos nosso entendimento sobre a mente humana devemos olhar para a complexidade do mundo presente e compararmos com o que tínhamos há cinquenta anos passados. Que tipo de mente era necessária naquele período para interagir com o meio, enfrentar problemas cotidiano, relacionar-se com as pessoas, adquirir informações para sobreviver, e de qual precisamos hoje para realizar as mesmas atividades? É possível situarmo-nos no mundo e viver hoje com os conceitos de quatro ou cinco séculos passados, concebendo ainda a mente humana como única estrutura e com uma visão tradicional da inteligência (“paleolítico digital”)? Cada momento que passa aprendemos mais sobre a evolução humana e o funcionamento do cérebro, fruto da revolução científica de diferentes área da biologia, da fisiologia, neurologia ...

Muitas das descobertas científicas recentes sobre a mente humana chocam-se com muitas as práticas pedagógicas tradicionais que vêm sendo desenvolvidas há anos e que não levam em consideração como o cérebro evoluiu e como está organizado nos seres humanos. Não há duas pessoas com o mesmo perfil, para tanto se deve procurar conhecer o estilo de aprendizagem de cada sujeito para criar modelos pedagógicos que permitam que cada um aprenda mais e melhor do seu jeito. Não conseguiremos, de um momento para outro, romper com uma longa tradição centrada em ensinar e avaliar de uma única maneira, de forma padronizada. O que alimenta nossa esperança é que pela primeira vez em toda história da humanidade temos conhecimentos que nos permitem entender e demonstrar que isso é possível e produz resultados mais palpáveis e melhores na aprendizagem. Não se trata de um conhecimento que sirva somente para compreendermos e estudarmos as crianças com perfis irregulares (como num primeiro momento se pensou em função dos casos analisados e estudados), mas para todas.

Com o avanço da Neurociência determinados procedimentos e acontecimentos pedagógicos não mais serão vistos da forma: “eu acho que meu aluno aprende melhor seu eu fizer desse jeito do que daquele”. Passa-se a ter dados objetivos para afirmar que x funciona melhor que y no que se refere aos métodos de ensino, portanto surge a demonstração de quais estratégias de ensino podem ser usadas com melhores resultados.


Passa a ser possível ensinarmos o que é importante de ser aprendido de maneiras diferentes, utilizando linguagens diferentes, a arte, o humor, a imagem, o desenho, contando histórias para criarmos as condições para que mais sujeitos consigam aprender. Quantos mais conseguirem aprender maiores serão as possibilidades de converterem isso para outras linguagens e para o meio onde vivem, reestruturando outras redes neurais (oportunizando novas sinapses[5]) e quanto maior for a ativação de novas redes neurais maior será seu entendimento sobre a vida e as coisas.

Como ignorar o que ocorreu com o cérebro humano quando nosso trabalho envolve esta evolução e seus progressos, quando ele é afetado diretamente por eles? Por exemplo: crianças que não aprendem, que apresentam dislexia[6], de posse das imagens de seu cérebro torna-se possível tratá-las e também orientar educadores sobre como agir para explorar o potencial intelectual não comprometido do cérebro ou como obter resultados por meio da intervenção adequada a partir do conhecimento das características desta criança ou adolescente.

Outro exemplo e campo onde a neurociência pode auxiliar é o que diz respeito às transformações provocadas pela revolução digital na mente humana que tem impacto profundo na educação, pois as redes neurais formadas como resultado do uso das novas tecnologias possibilitam mensagens instantâneas e multitarefas, o que dificulta a atenção ao foco e ao que deve ser aprendido. O digital passa a ser um “competidor” com as atividades de estudo da escola. Como criar mecanismos para resgatar a atenção e concentração no que deve ser aprendido? É neste momento que deverá aparecer a criatividade e a arte do professor.

O aprendizado contínuo durante uma vida inteira e com instrumentos cada vez mais sofisticados diferencia as novas gerações de outras anteriores, das quais, algumas nem sequer tinham educação institucionalizada. O cérebro humano aprendeu rapidamente isso desenvolvendo a capacidade de adquirir permanentemente novas informações que geram uma dinâmica interna de ciclo contínuo de expansão e ativação de novas sinapses, deixando-o cada vez mais ativo num processo de permanente retroalimentação, o que alguns estudiosos denominam de neuroplasticidade do cérebro.
Ao conhecer o funcionamento do sistema nervoso, os profissionais da educação podem desenvolver melhor seu trabalho, fundamentar e melhorar sua prática diária, com reflexos no desempenho e na evolução dos alunos. Podem intervir de maneira mais efetiva nos processos de ensinar e aprender, sabendo que esse conhecimento precisa ser criticamente avaliado antes de ser aplicado de forma eficiente no cotidiano escolar. Os conhecimentos agregados pelas neurociências podem contribuir para um avanço na educação, em busca de melhor qualidade e resultados mais eficientes para a qualidade de vida do indivíduo e da sociedade. (COSENZA, 2011, p. 145).
Há muito por vir no que diz respeito ao conhecimento sobre o cérebro humano, há muitos questionamentos em aberto ainda, quem sabe o que virá no futuro poderá até desconstruir muitas das “verdades” de hoje, isto não nos autoriza a ignorar sua importância para quem quer trabalhar como professor. Sem este conhecimento nossa prática poderá se tornar ainda mais pobre e enclausurada. Como as possibilidades da genética e da biologia ainda são limitadas (apesar do uso de substâncias e medicamentos), quem sabe a grande alternativa seja mudar as condições e o ambiente da aprendizagem. 


REFERÊNCIAS

BARTOSZECK, Amauri. Neurociência na educação. Disponível em: www.sitedaescola.com Acessado em 15/02/2012.


COSENZA, Ramon e GUERRA, Leonor. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

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MAIA, Heber (Org.) Neuroeducação e ações pedagógicas. Rio de Janeiro: Wak, 2011, vol. 4.

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TIMM, Maria Isabel; et al. Emergência da Neuroeducação: a hora e a vez da neurociência para agregar valor à pesquisa educacional. Ciências & Cognição, 2010, Vol 15 (1), p. 199-210. Disponível em:http://www.cienciasecognicao.org. Acessado em 14/02/2012.



[1] Professor da URI –Campus de Erechim. Doutor em Educação – UFRGS. Integrante do Grupo de Pesquisa Ética e Educação. narnaldo@uri.com.br
[2] Alguns estudiosos falam de uma nova área denominada de neuroeducação, que seria responsável por agregar conhecimentos de diferentes áreas (neurologia, neuroanatomia, neucrociência, psicologia cognitiva...) com o objetivo de fazer uso destes conhecimentos para potencializar as capacidades de cada estudante. Auxiliaria para entender as dificuldades de aprendizagem, como o cérebro funciona, como os circuitos neurais ocorrem, etc. e sua implicação na aprendizagem. Para estes estudiosos “[...] a próxima geração de educadores, obrigatoriamente, precisará levar em conta o conhecimento gerado por pesquisas das Neurociências, ao planejar e desenvolver seus projetos de ensino e aprendizagem.” (TIMM, 2010, p. 2).
[3] Neste texto, inclusive, não faremos distinções conceituais entre cérebro, mente, inteligência. Utilizaremos estas expressões como similares para designar o cognitivo humano.
[4] Hoje falamos de geração como um intervalo de tempo bastante curto se comparado com outros períodos da história da humanidade. Alguns estudiosos da área consideram geração o intervalo de tempo menor de uma década, o que era impensável no século XIX, por exemplo.
[5] Localização nos neurônios onde entram em contato com outros neurônios para transmitir informações. (GAZAANICAGA, 2006). É um espaço entre dois neurônios, por onde se comunicam, ou seja, por onde ocorre a transmissão de informações por meio de elementos químicos chamados neurotransmissores (METRING, 2011). Locais que regulam a passagem de informações no sistema nervoso. (COSENZA, 2011).
[6] “A dislexia é um distúrbio neurobiológico caracterizado pela dificuldade no reconhecimento preciso ou fluente das palavras, com dificuldade de soletrar e recodificar os sinais gráficos em sons. O problema resulta de uma deficiência do componente fonológico da linguagem, que geralmente contrasta com as demais habilidades cognitivas do indivíduo que tem inteligência normal.” (COSENZA, 2011, p. 105).

Neurociência na Educação




A neurociência é uma disciplina recente agrupando neurologia, psicologia e biologia. Nos últimos anos muitos aspectos da fisiologia, bioquímica, farmacologia e estrutura do sistema nervoso de invertebrados e o cérebro de vertebrados foram elucidados. Estudos fundamentais sobre a função da percepção, emoções, aprendizagem & memória mostraram significativo progresso, especialmente adotando abordagens da neurociência cognitiva.
Aprendizagem e educação podem ser estudadas como um novo campo das ciências naturais, variando de ambiente fetal até a idade adulta avançada. A alfabetização em neurociência reveste-se de importância para o cotidiano, ajudando a população a ter melhor entendimento de si e dos avanços científicos, evitando especulações e a crença em neuromitologias. São esquematizadas implicações educacionais a partir dos princípios de neurociência.


Introdução

A neurociência é uma das áreas do conhecimento biológico que utiliza os achados de subáreas que a compõe, por exemplo, a neurofisiologia, a neurofarmacologia, o eixo psiconeuro-endoimuno, a psicologia evolucionária, o neuroimageamento, a fim de esclarecer como funciona o sistema nervoso (Purpura, 1992; Purves et al., 1997; Kandel et al., 2000; Lent, 2001).

O desenvolvimento de técnicas modernas para o estudo da atividade cerebral em crianças, adolescentes e adultos, durante a realização de tarefas cognitivas, tem permitido uma investigação mais precisa dos circuitos neuronais durante seu funcionamento, que geram as capacidades intelectuais humanas, como linguagem, criatividade, raciocínio (Rocha & Rocha, 2000).

Os circuitos neuronais são responsáveis pelas funções básicas do nosso sistema nervoso bem como de outros animais. No caso humano determinam como nos comportamos como indivíduos. Nossas emoções vivenciadas como medo, raiva e as situações prazerosas da vida originam-se da atividade dos circuitos neuronais no cérebro (Johnston, 1999; LeDoux, 2002).

Nossa habilidade de pensar e armazenar lembranças depende de atividades físico-químicas complexas que ocorrem nos circuitos neuronais (Dudai, 1989; Rose, 1992; Schacter, 1996; Fields, 2005). Os circuitos neuronais existentes no cérebro e medula espinhal programam todos nossos movimentos, desde colocar fio no buraco da agulha até chutar uma bola na partida de futebol. Este entrelaçado de processos neuronais também controla inúmeras funções no organismo humano. Por exemplo, a manutenção da temperatura corporal, a pressão sanguínea são controlados automaticamente, fazendo com que nosso corpo fique em atividade, sem que tomemos conhecimento do que os circuitos neuronais estão fazendo.

São funções autônomas orquestradas pelos circuitos neuronais, e ocorrem de forma não consciente (Rocha, 1999; Beatty, 2001). A biologia elementar mostra claramente que qualquer animal é o produto de complexa interação entre sua genética e os fatores ambientais (Werner, 1997). Nos primórdios da história dos seres vivos elementares, a evolução aquinhoava vantagens competitivas aos animais cujo sistema nervoso pudesse fazer projeções antecipadas, de acontecimentos baseadas em correlações do passado. O cérebro que aprende confere vantagens adaptativas ao seu possuidor na procura de alimentos, parceiros sexuais, localização de abrigos e evitar perigos, garantindo maior longevidade (Churchland & Churchland, 2002; Churchland, 2004).


Alfabetização em Neurociência.


Baseada no conceito amplo de alfabetização científica (Lacerda, 1997; FreireMaia; Bizzo, 1998) a alfabetização em neurociência pode ser definida como o entendimento dos processos e conceitos para a compreensão de tópicos relativos às doenças do cérebro e distúrbios do comportamento. Também se ocupa dos mecanismos saudáveis de sua função cerebral regular (Livingstone, 1973; Nyslinski, 2001; Herculamo-Houzel, 2002) 

Os frutos da alfabetização científica para a sociedade em geral e o indivíduo em particular incluem:
1- uso do conhecimento em neurociência para a concepção de ambientes para a participação social de indivíduos portadores de características específicas de processamento pelo sistema nervoso;
2- tomada de decisões esclarecidas em caráter pessoal ou familiar em relação à saúde, como suporte para o bom funcionamento do sistema nervoso na faixa etária de criança a adulto;
3- aplicação do conhecimento neurocientífico para o bom desenvolvimento e funcionamento do cérebro de recém-nascidos, crianças, adolescente e adultos;
4- o entendimento e o desenvolvimento de postura crítica frente a pesquisa e material neurocientífico veiculado pela mídia (adaptado de Zardetto-Smith et al., 2002).

Crianças & Neurociência.

As crianças por natureza têm espírito inquisidor e inquieto. Logo aprendem (e mesmo no final da vida uterina) a coletar informação do mundo interno & externo, por meio de receptores e dos órgãos sensoriais. Estes lhes trazem as sensações primárias que logo se tornam percepções gustativas, olfativas, auditivas, visuais e táteis. À medida que amadurecem aperfeiçoam a interpretação de seu ambiente e melhoram a tomada de decisões, baseadas nestas informações (Eliot, 1999).

Na população em geral, e em alguns casos crianças em idade escolar, podem estar afetados por patologias neurológicas ou distúrbios afetivos. Não é incomum membros da família mais idosos como tios, avôs, devido a longevidade atual maior, estarem acometidos por doenças como Alzheimer e Parkinson.
Mesmo na sala de aula as crianças convivem com colegas com dificuldades de aprendizagem (déficit de atenção, hiperatividade, dislexia, Bossa, 2000; Cameron & Chudler, 2003). Por outro lado, há evidência, com aumento substancial no ensino médio, documentada do uso de álcool, cigarro e maconha precocemente já na escola primária (ensino fundamental), com aumento significativo no ensino médio (Wilson et al., 2002).

Diferentemente do que ocorre nos países desenvolvidos, curiosamente a população adulta brasileira mostra um interesse diminuído por tópicos relativos a doenças do sistema nervoso, consumo abusivo de drogas e atividade motora. A preferência recai em aspectos de memória, consciência, emoção e desenvolvimento do sistema nervoso (Herculano-Houzel, 2003). Observa-se que crianças estão mais interessadas no funcionamento normal do cérebro, do que no cérebro doente, indicando portanto, que políticas educacionais devem ser implementadas neste sentido. Os currículos devem incentivar a alfabetização científica (Zardetto-Smith et al., 2000).


Aprendizagem e Educação



O aprender e o lembrar do estudante ocorre no seu cérebro. Conhecer como o cérebro funciona não é a mesma coisa do que saber qual é a melhor maneira de ajudar os alunos a aprender. A aprendizagem e a educação estão intimamente ligados ao desenvolvimento do cérebro, o qual é moldável aos estímulos do ambiente (Fischer & Rose, 1998). Os estímulos do ambiente levam os neurônios a formar novas sinapses. Assim, a aprendizagem é o processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, ativando sinapses, tornado-as mais “intensas”. Como conseqüência estas constituem-se em circuitos que processam as informações, com capacidade de armazenamento molecular ( Shepherd, 1994; Mussak, 1999; Koizumi, 2004).

O estudo da aprendizagem une a educação com a neurociência (Livingstone, 1973; Saavedra, 2002; Mari, 2002, Flores, 2003). A neurociência investiga o processo de como o cérebro aprende e lembra, desde o nível molecular e celular até as áreas corticais. A formação de padrões de atividade neural considera-se que correspondam a determinados “estados & representações mentais” (Kelso, 1995; Shepherd, 1998). O ensino bem sucedido provocando alteração na taxa de conexão sináptica, afeta a função cerebral. Por certo, isto também depende da natureza do currículo, da capacidade do professor, do método de ensino, do contexto da sala de aula e da família e comunidade.

Todos estes fatores interagem com as características do cérebro dos indivíduos (Lowery, 1998; Westwater & Wolfe, 2000; Ramos, 2002). A alimentação afeta o cérebro da criança em idade escolar. Se a dieta é de baixa qualidade, o aluno não responde adequadamente à excelência do ensino fornecido (Given, 1998).


Neurociência Cognitiva & Educação.

A neurociência cognitiva (Gazzaniga et al., 2002) utiliza vários métodos de investigação (por ex. tempo de reação, eletroencefalograma, lesões em estruturas neurais em animais de laboratório, neuroimageamento) a fim de estabelecer relações cérebro & cognição em áreas relevantes para a educação. Está abordagem permitirá o diagnóstico precoce de transtornos de aprendizagem. Este fato exigirá métodos de educação especial, ao mesmo tempo a identificação de estilos individuais de aprendizagem e a descoberta da melhor maneira de introduzir informação nova no contexto escolar (Byrnes & Fox, 1998). Investigações focalizadas no cérebro averiguando aspectos de atenção, memória, linguagem, leitura, matemática, sono e emoção & cognição, estão trazendo valiosas contribuições para a educação (Berninger & Corina, 1998; Stanovich, 1998; Brown & Bjorklund, 1998; Geake & Cooper, 2003; Geake, 2004).

Pesquisadores em educação têm uma postura otimista de que as descobertas em neurociências contribuam para a teoria e práticas educacionais. Destarte, uma avalanche de artigos leigos em jornais diários e revistas de divulgação e mesmo periódicos científicos, têm exagerando os benefícios desta contribuição, variando daqueles totalmente especulativos àqueles incompreensíveis e esotéricos (Bruer, 1997; 1998; 1999). Exemplos incluem empreendimentos para desenvolver currículo sob medida, para atender fraqueza/excelência daqueles alunos que usam preferencialmente um dos hemisférios. Este “neuromito” é uma informação infundada do que a neurociência pode oferecer à educação (Williams, 1996; Springer & Deutsch, 1998; OCDE, 2003).

Alternativamente à proposta de John Bruer (1997; 2002) o qual argumenta que a neurociência possivelmente nunca contribuirá para a educação devido a desarticulação de conhecimentos entre as duas áreas, contrapõe-se a postura de Connell (2004). O pesquisador da Universidade Harvard argumenta que, introduzindo o “nível de análise” com agregação da neurociência computacional, elimina as fronteiras específicas. Assim, a neurociência, psicologia & ciências cognitivas somadas à educação, trazem novo enquadramento e integração destas áreas do conhecimento (Anderson, 1992: McKnight & Walberg, 1998)


Neurociência e Prática Educativa.

A pesquisa em neurociência por si só não introduz novas estratégias educacionais. Contudo fornece razões importantes e concretas, não especulativas, porque certas abordagens e estratégias educativas são mais eficientes que outras (Reynolds, 2000; Smilkstein, 2003). A tabela 1 sugere como o cérebro aprende em determinado ambiente de sala de aula.

Tabela 1. Princípios da neurociência com potencial aplicação no ambiente de sala de aula.

Conclusão

A neurociência oferece um grande potencial para nortear a pesquisa educacional e futura aplicação em sala de aula. Pouco se publicou para análise retrospectiva. Contudo, faz-se necessário construir pontes entre a neurociência e a prática educacional. Há forte indicação de que a neurociência cognitiva está bem colocada para fazer esta ligação de saberes.
Políticas educacionais devem ser planejadas através da alfabetização em neurociência, como forma de envolver o público em geral além dos educadores. É preciso aprofundar o estudo de ambientes educativos não tradicionais, que privilegiem oportunidades para que os alunos desenvolvam entendimento, e que possam construir significado à partir de aplicações no mundo real.

Referências:
http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2013/07/neurociencia-na-educacao.html

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[i] Amauri Betini Bartoszeck* Professor visitante, Laboratório de Neurofisiologia, Instituto de Saúde Dr. Bezerra de Menezes, Faculdades Integradas Espirita, Curitiba, Brasil.
* Professor Adjunto de Fisiologia, Fellow in Basic Medical Education, Universidade Federal do
Paraná, e-mail: bartozek@ufpr.br
Correspondência: Cx. Postal 2276, 80011-970 Curitiba, PR-Brasil; e-mail: